O QUE QUERES?

Desejar no infinitivamente pessoal não é pouca coisa!

Caetano Veloso, que fez mais uma maravilhosa LIVE de final de ano faz poucas horas, sabe muito bem disso…e ele conseguiu, e ainda consegue!

Fechou a LIVE nos desejando um FELIZ 2001!

Como assim? Me explico!

Em 1984 – ano que também é nome de outra obra, aquela do George Orwell, que também inspirou aquele vídeo institucional da Apple, o do lançamento do slogan Think Different lembra? – Caetano Veloso gravou um álbum, o VELÔ, onde consta a canção O QUERERES!

A canção, como tantas outras do CV é uma imersão com profundo domínio da nossa língua; aliás neste disco também consta a canção LÍNGUA (outra baita imersão!)

O Leandro Maia, cantautor, violonista, professor e profundo estudioso da canção, hoje Doutor em Música pela Bath Spa University, quando resolveu cursar seu mestrado pela UFRGS, partiu para um ato imersivo: indo do micro (uma canção), tentou, digamos, decifrar os códigos, os elementos pertinentes e constituintes de uma Canção Popular(o macro).

Deu Tese e fez e publicou e ganhei de regalo – tá aqui!

Olhem esta definição de Canção que o LEANDRO nos apresenta:

“A Canção é um texto onde os instrumentos musicais também falam, gritam, concordam e discordam enquanto as palavras exercem outras funções que não as mesmas de um texto escrito.”

Ou seja, não é apenas Música e nem apenas Letra (que erroneamente alguns ainda insistem em chamar de poesia, outra baita polêmica!), é a conjunção destes 02 elementos que geram a Canção.

Estudar os estudos de canção, para mim, é tão prazeroso quanto ouvi-las, tanto na escuta ampla (entre amigos), quanto na reduzida (nos fones de ouvido).

Esta análise do Leandro Maia (parceiro e amigo), vale para muitas coisas, mas o que é mais incrível: nos faz desejar no infinitivamente pessoal!

Quais são os teus QUERERES?

Caetano dá a letra: “onde queres revólver, sou coqueiro” e acaba de nos desejar FELIZ 2001!

Recomece, dê o reset!

E você?

*Artigo originalmente publicado no canal Instagram Revista Acontece Mais